A área geográfica que compreende a Mata Atlântica e seus ecossistemas associados – manguezais e restingas na costa, o ambiente marinho e áreas de transição com Cerrado e Caatinga no continente – é hoje uma das regiões mais ameaçadas no mundo pela ocupação e atividade humanas. Originalmente a Mata Atlântica cobria mais de 1,3 milhões de km2. Atualmente, restam apenas cerca de 8% de sua cobertura florestal original.

A história e a vida econômica do Brasil estão fortemente relacionadas à Mata Atlântica, que está distribuído por 17 estados, onde são produzidos 80% do Produto Interno Bruto (ou seja, 80% do valor da produção industrial e dos serviços do país) e vivem 70% de sua população total. Tanto as atividades econômicas quanto a população, de maneira geral, dependem diretamente dos recursos naturais que são produzidos ou regulados pela Mata Atlântica.

Os números da Mata Atlântica para espécies vegetais e animais endêmicas, ou seja, que só podem ser encontradas no bioma, também impressionam: 8.000 plantas e mais de 700 animais, entre mamíferos, aves, répteis, anfíbios e peixes de água doce.

 
 
No entanto, a fragmentação e o isolamento dos remanescentes florestais da Mata Atlântica são apontados pelos cientistas como os maiores desafios a serem superados para a sobrevivência destas e de outras espécies. Assim como, para a manutenção de serviços ambientais essenciais para a vida das comunidades humanas: proteção dos mananciais hídricos; manutenção do microclima; geração de energia; ciclagem de nutrientes; seqüestro de carbono da atmosfera, entre outros.

Proteger os fragmentos florestais remanescentes e restaurar a conectividade física e ecológica entre estas áreas é fundamental para se reverter a tendência atual.
 
 
O Brasil possui o mais extenso litoral inter e subtropical do mundo, estendendo-se por 7.300 km de linha de costa, número que se eleva para mais de 8.500 km quando são considerados os recortes e reentrâncias do litoral. A zona costeira brasileira apresenta um mosaico de ecossistemas - recifes de corais, manguezais, restingas e estuários - que abrigam uma enorme diversidade de vida.

Zonas costeiras são regiões de transição ecológica que desempenham importante função de ligação entre os ecossistemas terrestres e marinhos. Os ambientes encontrados em sua composição são diversificados, complexos e de extrema importância para a sustentação da vida no mar.

No entanto, apenas 0,4% da área da zona marinha onde é permitida atividade econômica (Zona Econômica Exclusiva - ZEE) estão protegidos por unidades de conservação de proteção integral. A ampliação da rede de áreas protegidas nos ambientes costeiros e marinhos, aliada ao planejamento do uso sustentável de seus recursos, é fundamental no que diz respeito à conservação e à manutenção de sua biodiversidade.
 
 

 

 

Enrico Marone
Manguezal, um dos ecossistemas da Mata Atlântica
 
Marcelo de Mattos
Detalhe de jequitibá milenar no Parque Estadual dos Três Picos (RJ)
 
Enrico Marone
Vista aérea da Ponta de Corumbau (BA)